sábado, 30 de maio de 2015

Inevitável

"Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás."

terça-feira, 28 de abril de 2015

Desculpa, amo-te

Eu queria dizer-lhe que o amava.
Dizer-lhe:
Olha, desculpa mas amo-te. Aconteceu. 
O meu lado lunático vem ao de cima sempre que me lembro do que não passámos, e das noites que durmo sem ti.
Deixo de ser o que sou por ti.
Começo a ouvir a tua música, a deitar-me às horas a que te deitas, e a acordar a meio da noite sempre que precisares e entenderes. 
Ninguém nos vai dizer que as noites são para dormir.
Defendo-te de tudo, e de todos. 
Torno uma relação imoral, numa história bonita para contar aos nossos futuros filhos.
Hei-de te dar sempre a mão, mesmo quando o caminho for inconstante, e me falte as forças nas pernas.
És maior que eu, mais pesado que eu, mas eu amo-te pelos dois, e uma mulher que ama, luta por dez homens. 
Mudo por ti.
Faço o que quiseres por ti. 
Já te disse hoje que foste a pessoa com que tive mais orgasmos, e nunca estivemos juntos?
Alimentava-te a alma, alimento-te o corpo. 
Traz as malas.
Desculpa, mas amo-te.

Mas nunca lhe disse. Fiquei quieta, e só as paredes da minha casa e os lençóis da minha cama sabem o quanto te quis em dias normais.
O teu sorriso, e o teu discurso pouco certo, estão-me entranhados na pele.
A tua cara assombra-me sempre que me tento deitar no peito de alguém.
Não consigo encontrar encanto nas pessoas que me passam ao lado na rua, nem a quem me sorri na noite.
É que sabes, procuro um bocado de ti em quem se cruza comigo, e tu és tão fora do normal, que me fazes chegar sozinha a casa, todas as noites.
Eu não tenho medo dos barulhos cá de casa, mas a casa sabe a tua voz. E ecoa-a em todo o lado.
No meu quarto e na sala. Às duas da tarde, ou às quatro da manhã.
És louco, e meteste-me a mim mais louca do que já era.
Talvez seja por isso que gosto tanto de ti.
Por ter encontrado alguém que me mostrou que ser diferente é o totoloto numa multidão cheia de gente sem sal.

Queria ter-te dito tanta coisa, mas acabei por nunca te dizer nada.
Tu não me conheces, e eu provavelmente não te conheço assim tão bem quanto penso.
Mas sentir que eras uma parte de mim, por mais pequena que fosse, foi o que me bastou para te tentar encontrar, em todas as esquinas que não nos cruzámos.
Evito olhar-te nos olhos, porque um dia alguém me disse que são o espelho da alma.
E a minha está carregada de momentos, palavras e horas, que não existiram.
Continuas a ser o fantasma mais presente na minha vida, e se nunca estás onde estou, então não sei porque te vejo sempre em mim.
Dispo-me e penso em ti. Todos os dias, me traio com a tua imagem. Foi a forma mais bonita que encontrei, de me lembrar do que não vai acontecer.
Estar contigo no pensamento.
Que o amor nos leve para longe um do outro.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Casa-te com uma mulher que…

É difícil encontrar uma segunda alma gémea, alguém que me dê tanto como outrora, tanto carinho, tantas partilhas, tanto amor, tanta emoção, tanta coragem, tanta vivência, tanta amizade...
Numa visita inesperada a um sítio revi-me em conselhos e recomendações que seguem abaixo. Por isso, se já a tens faz com que seja possível tudo isto e muito mais, porque se ela permitiu que entrasses no seu coração, preserva-a ao máximo, faz por mereceres!
"Ela não precisa ser a princesa que a tua mãe sonhou, mas precisa ser quem toca a tua alma, quem faz bater o teu coração. Ela vai ser o teu primeiro sorriso pela manhã e o teu último olhar de doçura antes de dormir. Mais do que namorada, ela precisa ser tua amiga. Casa-te com alguém que te aceite por inteiro, mas que também ame as tuas metades, que perdoe o teu modo de ser por vezes desajeitado e aquela espreitadela bem intencionada, é claro, para a vizinha.
Afinal, ser homem nos dias de hoje não é fácil. Então, casa-te com uma mulher que simplifique a tua vida. Que saiba dizer não, quando quer dizer não. E sim, quando quer dizer sim. Que também saiba decidir o que é bom para si mesma. Que sorria contigo, ou de ti, tanto faz. Porque de caras amuadas já está este mundo cheio.
Casa-te com uma mulher que te ame e que te respeite acima de tudo. Que te receba de braços abertos quando tudo der errado e fique do teu lado. Que te ponha o ânimo para cima, pois vou contar-te um segredo, meu amigo, as mulheres têm esse dom. Então escolhe aquela que opta sempre por te ver feliz. Ela precisa de ser a tua paz, o teu amor, a tua vida. Ela precisa de ser uma mulher forte e guerreira quando é preciso e ainda assim ser a tua menina, que tu vais proteger.
Com ela tu vais dividir sonhos, somar alegrias, subtrair tristezas, realizar um pouco de tudo… Então, antes de tudo, casa-te com alguém que tu ames verdadeiramente. Com aquela pessoa em quem tu pensas todos os dias da tua vida.
Uma pessoa que saiba cuidar e que ao mesmo tempo entenda que regar demais a flor também maltrata o jardim. Que te aponte o caminho mais do que somente apontar o erro, e que seja a tua bússola quando te faltar o norte.
Casa-te com uma mulher que não desista de ti à primeira adversidade. Que não desista de vocês.
Casa-te com uma mulher que veja um jogo de futebol contigo e mesmo sendo de outro clube torça pelo teu, caso não seja um jogo do teu clube contra o dela. Que por vezes beba uma cerveja e coma amendoins contigo sem olhar a calorias. Que te acompanhe num ou outro jogo de playstation. Que saiba reconhecer a tua tentativa falhada e desastrada de cozinhar. Que aceite e tente melhorar as tuas atitudes, como deixar a toalha molhada em cima da cama.
Casa-te com uma mulher que chora de saudades. Que peça um beijo quando te achar quieto de mais. Casa-te com aquela mulher que saiba ceder a uma discussão no momento certo, que te deixa ter razão se isso for melhorar a situação, que não seja demasiado orgulhosa. Casa-te com aquela que te motiva a inventar o homem que tu queres ser. Uma mulher que seja reservada e ao mesmo tempo espontânea. Que aprenda algumas palavras em italiano só para te dizer “eu amo-te”. Que ache que se deitar na relva ao teu lado e olhar para as estrelas foi o melhor plano que fez durante a semana. E que se ria e finja acreditar enquanto tu erras o nome de todas as constelações. Que se esforce para ver um filme só porque é o teu favorito. Uma mulher que confia em ti e te deixa conduzir, mas que te avise do poste à frente. Que faça toda a gente em redor perceber o quanto vocês foram feitos um para o outro. Que use as suas roupas banais em casa e mesmo assim continue sexy.
Casa-te com uma mulher que te faz querer morder de tanta paixão. Que prove que 5 segundos para entrar no autocarro é tempo suficiente para te dar mais um beijo.
Casa-te com alguém que tu amaste desde o primeiro dia, mas que só depois tiveste coragem de ir lá contar.
Casa-te com uma mulher com quem tu possas sobretudo construir uma grande amizade. Alguém que te perceba, que te entenda e que te complete. Porque no final de contas, é o quanto vocês conseguem dizer um para o outro, muitas vezes sem se tocar, apenas ali no silêncio de um olhar, que vai garantir a solidez dos próximos capítulos deste livro."

terça-feira, 13 de maio de 2014

Comecei a amar-te no dia em que te abandonei

Hoje acidentalmente li um pequeno texto que muito me fez pensar...em quiçá prever o futuro.

"Comecei a amar-te no dia em que te abandonei. Foram as palavras dele quando, dez anos depois, a encontrou por mero acaso no café. Ela sorriu, disse-lhe “olá, amo-te” mas os lábios só disseram “olá, está tudo bem?”. Ficaram horas a conversar, até que ele, nestas coisas era sempre ele a perder a vergonha por mais vergonha que tivesse naquilo que tinha feito (como é que fui deixar-te? como fui tão imbecil ao ponto de não perceber que estava em ti tudo o que queria?), lhe disse com toda a naturalidade do mundo que queria levá-la para a cama. Ela primeiro pensou em esbofeteá-lo e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, de seguida pensou em fugir dali e depois amá-lo a tarde toda e a noite toda, e finalmente resolveu não dizer nada e, lentamente, a esconder as lágrimas por dentro dos olhos, abandonou-o da mesma maneira que ele a abandonara uma década antes. Não era uma vingança nem sequer um castigo – apenas percebeu que estava tão perdida dentro do que sentia que tinha de ir para longe dali para ir para dentro de si. Pensou que provavelmente foi isso o que lhe aconteceu naquele dia longínquo em que a deixara, sozinha e esparramada de dor, no chão, para nunca mais voltar.

De tudo o que amo és tu o que mais me apaixona.

Foram as palavras dela, poucos minutos depois, quando ele, teimoso, a seguiu até ao fundo da rua em hora de ponta. Estavam frente a frente, toda a gente a passar sem perceber que ali se decidia o futuro do mundo. Ele disse: “casei-me com outra para te poder amar em paz”. Ela disse: “casei-me com outro para que houvesse um ruído que te calasse em mim”. Na verdade nem um nem outro disseram nada disso porque nem um nem outro eram poetas. Mas o que as palavras de um (“amo-te como um louco”) e as palavras de outro (“amo-te como uma louca”) disseram foi isso mesmo. A rua parou, então, diante do abraço deles."

por Pedro Chagas Freitas

sábado, 11 de janeiro de 2014

Só de mim

Sem muito a acrescentar...